Curitiba, 06 de Setembro de 2010
Início
           
Abertura do ano letivo 2010 - Homilia
Jesus crescia em estatura, sabedoria e graça.

Muitas vezes pensamos que Jesus sempre soube tudo, afinal, ele era Deus, e não precisava seguir o curso normal do desenvolvimento intelectual e da aprendizagem cognitiva. É como se ele soubesse tudo sem necessidade de busca e de esforço.

O texto que acabamos de ouvir desmente esse nosso conceito errôneo sobre o Filho de Deus. Ele crescia... isso quer dizer que havia nele um processo normal de busca, entendimento e amadurecimento de seus conhecimentos.

Veja as fotos da Celebração Eucarística.

Com apenas 12 anos, ele já tinha uma bagagem de conhecimentos tão elevada, capaz de discutir com os doutores da lei. Todos estavam maravilhados com o seu modo de ser e de aprofundar a palavra de Deus. Com certeza, Jesus era um estudioso da Bíblia, e aquilo que ele traduzia em questionamentos e aprofundamentos, provinha de sua enorme sede de conhecimento. Ele não se deixava levar e ser envolvido pelos doutores da lei, simplesmente pelo fato que tinha argumentos suficientes para discutir a palavra de Deus no mesmo nível dos demais, ou então, num nível superior.

O crescimento está a demonstrar o processo normal que existe na vida de um ser humano. Crescemos em estatura, idade e oxalá, em sabedoria. Nem sempre o amadurecimento físico bem ligado ao amadurecimento intelectual. Muitos ostentam uma estatura elevada, mas um intelecto bastante raquítico, limitado e são presas fáceis do sistema, da cultura, sem um posicionamento critico e responsável.

O estudo na vida do ser humano integra a totalidade da sua pessoa. Somos seres físicos, assim como pulsam em nós os sentimentos; necessitamos do outro, como seres relacionais; almejamos metas, ideais e nos realizamos no serviço compartilhado. Tudo isso seria incompleto se deixássemos de lado a nossa sede do saber, do conhecer, do aprofundar, do questionar. Usar a mente é simplesmente colocar em movimento a nossa massa cinzenta e permitir que a nossa memória grave conhecimentos significativos que nos auxiliarão nas diversas situações ordinárias da nossa existência.

Mark Twain, fascinado com o poder da nossa mente, assim se expressa a respeito do pensamento: “pensar é um dos maiores prazeres da raça humana”. Mas será que isso é sempre verdadeiro na vida de nossos estudantes?

Muitas vezes, levados por uma preguiça mental, muitos estudantes preferem recorrer a textos elaborados por outros, espalhados pela internet, em vez de utilizarem sua mente para assimilá-los, decompô-los em elementos simples e então armazená-los, elevando assim a sua cultura e o seu horizonte de conhecimentos.

O que faz um estudante, a exemplo de Jesus, crescer em sabedoria?

Nada pode substituir a imprescindível necessidade de uma leitura diária e constante. O Espírito Santo sopra onde quer, mas com toda certeza não vai soprar na hora de uma prova, ou num trabalho especifico, se não houver a colaboração e o esforço humano. Pobre do Espírito Santo, tantas vezes culpado pela minha ignorância e fragilidade intelectual.

São Vicente de Paulo, fundador dos padres vicentinos costumava dizer que tudo acontecia pela graça de Deus e o esforço humano. Deus nos deu todas as condições para crescermos em sabedoria, mas sem o nosso esforço, continuaremos limitados e por que dizer, medíocres, sem um posicionamento pessoal  e critico.

Ao iniciarmos mais um ano escolar, gostaria de reiterar essa postura determinada de cada estudante em dar do seu melhor, em buscar nos livros a fonte da sua sabedoria. Um livro para muitos é uma tortura, e ao tocar nele, parece estar tocando num inimigo, adversário a ser combatido. Postura totalmente adversa para aquele que quer aprender e evoluir o seu pensamento. O livro para um estudante de filosofia e de teologia, deve ser um amigo especial... o estudante deve enamorar-se dele como se fosse seu complemento. Depois da leitura de um livro qualificado, de conteúdo, um bom estudante já não é mais o mesmo. Cresceu, evoluiu, ampliou seus horizontes.

Oxalá, a exemplo de Jesus que discutia com os doutores da lei, um bom estudante no final de seu curso possa estar discutindo com os seus professores, demonstrando o seu acervo intelectual produzido ao longo do curso de filosofia ou teologia.

A faculdade vicentina prima desde sempre por um estudo sério, qualificado, onde os estudantes possam crescer em sabedoria. Buscamos docentes que possam bem orientar os seus estudantes na sublime arte de aprender.

Quero desejar a todos um feliz 2010. Àqueles que vão fazer o curso Propedêutico, assim como aos iniciantes da filosofia e teologia, sugiro empenho desde o primeiro dia. Para não ter que correr atrás do prejuízo lá na frente.

Sejam todos bem-vindos, e a exemplo de Jesus, cresçam em estatura, idade, mas sobretudo em sabedoria.

Dr. Pe. André Marmilicz - Diretor Geral

 
 
Academia Brasileira de Jornalismo Literário

clarear
 
 
 
Integrarte
garlix
Nape São Jospe dos Campos